Não subestime o poder do Foda-se.
Há um sonho de que toda a Humanidade partilha: poder ligar definitivamente o Foda-se. Não fazer nada que não queira, não conviver com quem não gosta, fazer só o que der na telha. Entre a hora de acordar e a hora de dormir, só fazer o que lhe der prazer - e, pra completar, poder escolher a hora de acordar e a hora de dormir sem se preocupar com compromissos marcados pelos outros.
Outro dia me peguei planejando uma maneira de ligar o Foda-se de uma maneira mais concreta. Eu iria colocar um decalque qualquer na seta do meu carro, de maneira que, quando eu a ligasse, piscasse bem grande, brilhante e legível pra todo mundo ler: FODA-SE, FODA-SE, FODA-SE. Esse meu carro, provavelmente, teria em volta dele todo uma barra de proteção de ferro, como se fosse um bate-bate reforçado. E nada de retrovisor. Quando eu quisesse trocar de faixa, eu ligava o Foda-se e ia. E foda-se. Seria utilizado especialmente na frente de táxis e ônibus.
Mas estou divagando. O Foda-se piscante em meu Fusca - é, eu visualizo o meu carro do foda-se como um Fusca, só que com ar condicionado, direção hidráulica e CD-player - seria a materialização do meu Foda-se metafórico, que eu um dia ainda poderei manter sempre ligado (o que me faz lembrar que esqueci de apostar na loteria esportiva esta semana). O Foda-se metafórico é, com certeza, muito mais importante.
Um dia de fúria é um filme que parte desta idéia central, a de alguém que resolve ligar o foda-se - nesse caso, de forma violenta. Pra quem não conhece ou não lembra do filme, nele um cara se irrita com uma atendente de lanchonete, puxa uma arma e daí pra frente passa a enfrentar todas as encheções de saco do dia-a-dia, por menor que sejam, na bala. O filme, em si, é um tanto decepcionante. Mas não há quem não tenha se identificado com a sua premissa. É a prova de que a Humanidade realmente anseia pelo foda-se nosso de cada dia. (O que pregaria uma religião em que as pessoas rezassem assim?)
Que não seja de forma definitiva, porque quase ninguém consegue alcançar o Foda-se absoluto, mas todo mundo precisa acioná-lo de vez em quando. É bom para a saúde mental, para a satisfação pessoal e, muitas vezes, para o funcionamento prático das coisas. Não subestime nunca o poder do Foda-se.
Boa noite!
Há um sonho de que toda a Humanidade partilha: poder ligar definitivamente o Foda-se. Não fazer nada que não queira, não conviver com quem não gosta, fazer só o que der na telha. Entre a hora de acordar e a hora de dormir, só fazer o que lhe der prazer - e, pra completar, poder escolher a hora de acordar e a hora de dormir sem se preocupar com compromissos marcados pelos outros.
Outro dia me peguei planejando uma maneira de ligar o Foda-se de uma maneira mais concreta. Eu iria colocar um decalque qualquer na seta do meu carro, de maneira que, quando eu a ligasse, piscasse bem grande, brilhante e legível pra todo mundo ler: FODA-SE, FODA-SE, FODA-SE. Esse meu carro, provavelmente, teria em volta dele todo uma barra de proteção de ferro, como se fosse um bate-bate reforçado. E nada de retrovisor. Quando eu quisesse trocar de faixa, eu ligava o Foda-se e ia. E foda-se. Seria utilizado especialmente na frente de táxis e ônibus.
Mas estou divagando. O Foda-se piscante em meu Fusca - é, eu visualizo o meu carro do foda-se como um Fusca, só que com ar condicionado, direção hidráulica e CD-player - seria a materialização do meu Foda-se metafórico, que eu um dia ainda poderei manter sempre ligado (o que me faz lembrar que esqueci de apostar na loteria esportiva esta semana). O Foda-se metafórico é, com certeza, muito mais importante.
Um dia de fúria é um filme que parte desta idéia central, a de alguém que resolve ligar o foda-se - nesse caso, de forma violenta. Pra quem não conhece ou não lembra do filme, nele um cara se irrita com uma atendente de lanchonete, puxa uma arma e daí pra frente passa a enfrentar todas as encheções de saco do dia-a-dia, por menor que sejam, na bala. O filme, em si, é um tanto decepcionante. Mas não há quem não tenha se identificado com a sua premissa. É a prova de que a Humanidade realmente anseia pelo foda-se nosso de cada dia. (O que pregaria uma religião em que as pessoas rezassem assim?)
Que não seja de forma definitiva, porque quase ninguém consegue alcançar o Foda-se absoluto, mas todo mundo precisa acioná-lo de vez em quando. É bom para a saúde mental, para a satisfação pessoal e, muitas vezes, para o funcionamento prático das coisas. Não subestime nunca o poder do Foda-se.
Boa noite!
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